Fluxo de caixa x Contabilidade? Entenda a diferença entre Regime de Caixa e o Regime de Competências

Saiba como estes conceitos estão interligados a importância de cada um deles

26 de agosto de 2020

Fluxo de Caixa versus Contabilidade? Este tema pode não ser novo, porém ainda gera bastante discussão e dúvidas, principalmente para quem não tem conhecimento tão aprofundado em contabilidade.

Mesmo diante desta “rivalidade” e até de falas sobre as vantagens do regime de caixa sobre o de competência, hoje eu quero comentar com vocês que estes conceitos são bastante importantes e devem ser utilizados em conjunto.

Neste artigo vamos mostrar alguns conceitos que envolvem os dois regimes e mostrar que, ao contrário de escolher um ou o outro, é importante utilizar os dois em sua gestão. Vamos nessa?

Fluxo de Caixa versus Demonstrações contábeis

Quando entendemos melhor os termos, passamos a perceber que é necessário de fato utilizar os dois processos dentro da empresa. O fluxo de caixa nada mais é que a entrada e saída de dinheiro no caixa da empresa. Ele, portanto, permite controlar a situação financeira da empresa, em curto e médio prazo.

No entanto, quando falamos dos resultados de um negócio, fazer esta análise baseado apenas no fluxo de caixa pode nos trazer informações e insights errados sobre a situação da empresa. Isso porque, geralmente vendemos à prazo, precisamos comprar insumos e, por vezes, fazer empréstimos. Enfim, a situação financeira de uma empresa vai além da simples entrada e saída de recursos. Por isso, a demonstração de resultados  é mais complexa, e essa fica a cargo da contabilidade. 

Conversamos sobre isso nesse artigo sobre fluxo de caixa e DRE. Nele você consegue entender melhor estes conceitos e saber quando utilizar um e o outro.

Outros itens em comum ao fluxo de caixa e a contabilidade

Além dos demonstrativos contábeis existem outros itens da contabilidade que se relacionam com o fluxo de caixa. Quer saber quais são eles? É só seguir a leitura que vamos te mostrar.

Depreciação

Você sabe exatamente o que é a depreciação? Simplificando, ela é o emprego de uma parte do caixa gasto na aquisição dos ativos imobilizados. Sendo assim, a depreciação está diretamente ligada ao caixa. 

A divergência fica por conta da diferença temporal entre o conhecimento do gasto e o reflexo financeiro. Ainda que, mesmo no período do pagamento do imobilizado, haja alguma depreciação, a diferença de valores permanece grande. 

Por esse motivo é que se separa os dois conceitos. Para efeito do controle financeiro é considerada a saída na data de aquisição e não pode-se computá-la novamente quando for reconhecida a depreciação. Caso isso ocorresse, teríamos um efeito duplicado nos cálculos.

O pensamento é o mesmo quando lidamos com a venda ou baixa de um ativo depreciado. Caso ele for somado ao lucro, estaremos ratificando que há uma diferença considerada, ou seja, a venda produz uma entrada de caixa que quando confrontada com o valor investido na aquisição, traz como resultado o valor perdido pela utilização do bem.

Deste confronto é possível também chegar ao lucro – ou prejuízo – na alienação e a diferença entre o valor gasto e a soma de todas as depreciações. A partir daí conseguimos definir a depreciação total, em caso de prejuízo, ou retificar o total contabilizado anteriormente, em caso de lucro. 

Provisões Contábeis

Outro exemplo de demonstração que liga a contabilidade e o fluxo de caixa são as provisões contábeis. Vamos imaginar que a sua empresa comprou algumas mercadorias e já as pagou. Ou seja, você já possui o reflexo financeiro em seu caixa, mas ainda não contabilizou os valores relativos à venda destas mercadorias. 

Agora, vamos imaginar que o mercado mostre a possibilidade de que você não irá conseguir recuperar todo o dinheiro gasto. Sendo assim, o seu contador irá considerar esse valor como perda do período e fazer uma previsão de reajuste ao valor de mercado.

Portanto, fica claro que toda provisão contábil faz parte do fluxo de caixa. Caso essas previsões não se confirmem, é possível fazer a reversão dessa provisão e consertar aquela hipótese que não se confirmou.

Vinculação entre Contabilidade e Fluxo de Caixa

Esse é um processo natural, tendo em vista que o denominador comum dos dois fluxos é o dinheiro e o conceito de lucro está ligado a ele. Quando te perguntam, qual o lucro da sua empresa ao longo prazo? Você pode responder essa pergunta por meio da diferença do valor de liquidação da empresa e os investimentos feitos pelos sócios ao longo do tempo. 

Assim, o lucro está ligado ao fluxo financeiro entre a empresa e os sócios. Claro que esta associação é bem simplista, pois é preciso calcular a inflação e corrigir os investimentos e lucros divididos entre todos os sócios, colocar, caso necessário, todos os componentes na mesma moeda. Mas é possível perceber que, mesmo com todas estas variáveis, voltamos ao conceito de Fluxo de Caixa.

Mas claro que precisamos ser inteligentes e conhecer a fundo o andamento da situação financeira da empresa. Para tanto, o regime de competências nos permite confrontar o fluxo financeiro, a fim de fazer as melhores análises da evolução da rentabilidade e da real situação do negócio.  

Porque o Regime de Competência?

Como já começamos a responder no bloco anterior, o regime de competência permite uma análise para aprofundada e assertiva da situação da empresa. A diferença entre o regime de caixa e o regime de competência contábil consiste na melhor alocação das entradas e saídas de valores.

Não analisar de forma criteriosa este caminho, pode trazer falsas ideias sobre a situação patrimonial da empresa. Contudo, isso não significa que devemos abandonar o fluxo de caixa, pelo contrário. Ele continua sendo essencial para análise financeira de curto prazo, portanto fundamental para a gestão empresarial.

Bom, espero que tenha ficado claro a ligação entre o fluxo de caixa e a contabilidade. Que tal continuar os seus estudos? Acesse nosso Facebook e Linkedin e participe das nossas discussões. 

Escrito por

João Vitor Fernandes - Analista de Conteúdo

João Vitor é jornalista, pós-graduado em Marketing para Mídias Sociais e Especialista em Produção de Conteúdo com certificações em Inbound Marketing e Blogues Corporativos. Atua como Analista de Conteúdo na Mastermaq.

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