Porque a análise de caixa é importante para evitar a malha fina?

Entenda como fazer o cálculo para que seu cliente não enfrente problemas com a Receita

9 de outubro de 2019

Estamos chegando ao final de mais um ano. Sabemos que este é um período mais tranquilo para os escritórios contábeis. Por isso, uma boa oportunidade para começar a trabalhar a declaração de imposto de renda do seu cliente, não é mesmo? Uma dica é começar a fazer a análise de caixa e a evolução patrimonial durante o ano.

Isso porque o controle patrimonial está entre os motivos que mais levam contribuintes para a malha fina. Sendo assim, é bom ficar atento.

Quer saber como fazer a análise de caixa? Leia o artigo de hoje e saiba como fazer a declaração de forma correta e evitar punições.

Principais motivos para a entrar na malha fina

Todos os anos milhares de contribuintes caem na malha fina. Só em 2018 foram mais de 600 mil declarações que entraram em revisão na Receita Federal.

Veja abaixo quais são os principais motivos para se cair na malha fina:

  • Inclusão de despesas não dedutíveis entre as despesas Médicas e de educação;
  • Deixar de recolher imposto sobre ganhos com ações dentro do prazo;
  • Omissão da renda do dependente e receitas de outras fontes pagadoras;
  • Divulgação incorreta de valores e Evolução Patrimonial;
  • Omissão do recebimento de pensão alimentícia e aluguéis;
  • Inclusão não permitida de dependentes;
  • Aparição de um mesmo CPF em mais de uma declaração.

Nós preparamos um artigo com todas as informações sobre o Imposto de Renda 2020. É importante começar a entender a declaração desde já.

Análise de Caixa: o acréscimo patrimonial pode te levar à Malha Fina

O Acréscimo patrimonial, como o próprio nome diz, é o quanto o patrimônio do seu cliente cresceu no último ano. Para fins de tributação, ele poderá ser considerado a partir dos rendimentos de receitas líquidas tributáveis, não tributáveis ou sujeitos à tributação exclusiva na fonte. 

Ela poder ser acrescida de outras receitas, como a venda de bens do próprio contribuinte ou recebimento de herança, por exemplo.

Sendo assim, a soma de todos os rendimentos líquidos precisa ser superior ao acréscimo patrimonial no período. Se não, irá caracterizar-se como “acréscimo patrimonial a descoberto”. Ou seja, poderá ser considerado uma sonegação fiscal.

Entenda como funciona

O Controle patrimonial é relativamente simples de ser feito. Deve-se considerar todas as entradas e saídas de recursos financeiros do seu cliente. Portanto, é preciso incluir os rendimentos de honorários e salários, doações recebidas e ganhos de capital, doações recebidas, heranças, empréstimos obtidos.

Já para as despesas, é necessário considerar os gastos com INSS, doações pagas, prejuízos na alienação de bens, despesas médicas, odontológicas, de instrução, amortizações de empréstimos.

Veja um exemplo:

Entradas:

  1. Rendimentos de pessoas físicas R$ 7.000,00;
  2. Rendimentos de pessoas jurídicas R$ 17.000,00;
  3. Empréstimo bancário obtido no mês (valor líquido) R$ 17.000,00;
  4. Rendimentos não tributáveis R$ 6.000,00;
  5. Rendimentos tributados exclusivamente na fonte R$ 3.000,00;

Total de entradas (soma de todas as entradas) R$ 50.000,00

Saídas:

  1. Despesas de instrução R$ 3.500,00
  2. Despesas médicas R$ 3.000,00
  3. Outros pagamentos (honorários, comissões, condomínios, doações e etc.) R$ 3.500,00
  4. Contribuições ao INSS e Previdência Privada R$ 3.000,00
  5. Pagamentos de Tributos (IRF, Carnê-leão, IPTU, etc.) R$ 3.000,00

Rendimento Líquido do mês (entradas – saídas) R$ 34.000,00

Portanto, nesse exemplo, o contribuinte teve uma renda líquida de R$ 34.000,00. Sendo assim, o acréscimo patrimonial dele pode ser de até R$ 34.000,00, naquele mês. Qualquer aumento acima deste valor constituirá acréscimo patrimonial a descoberto.

Acréscimo coberto x acréscimo patrimonial a descoberto

  • Renda líquida > acréscimo patrimonial = acréscimo coberto;
  • Renda líquida < acréscimo patrimonial = acréscimo patrimonial a descoberto.

Seguindo o raciocínio do exemplo anterior, se o cliente declarou que a evolução patrimonial foi de R$38 mil, temos um acréscimo patrimonial de R$ 4 mil. Sendo assim, a Receita irá considerar que esse valor como rendimento omitido, o que pode levar a uma investigação por sonegação fiscal.

Nem todo acréscimo patrimonial a descoberto resulta em uma investigação. Uma restituição ou a apresentação de documentos podem comprar que foi apenas um erro durante a declaração. 

Portanto, é fundamental ficar atento a todas as informações para que a declaração não caia na malha final e o seu cliente não enfrente problemas.

Ou seja, como vimos nesse artigo, é importante antecipar as informações, organizar as rotinas de trabalho e fazer a declaração com antecedência. Além disso, acompanhar a evolução patrimonial do seu cliente.Espero que tenha entendido a importância da análise de caixa para a declaração do imposto de renda. Agora que você já está pensando no assunto, que tal saber como precificar o serviço de entrega do IRPF? Leia nosso artigo e fique bem informado.

Escrito por

João Vitor Fernandes - Analista de Conteúdo

João Vitor é jornalista, pós-graduado em Marketing para Mídias Sociais e Especialista em Produção de Conteúdo com certificações em Inbound Marketing e Blogues Corporativos. Atualmente atua como Analista de Conteúdo na Mastermaq.

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